No primeiro dia do meu estágio na grande empresa, fiquei em pé na calçada olhando para o prédio e só consegui pensar em uma pessoa: Mitchum Huntzberger. Para quem pulou a queda de Rory na quinta temporada de “Gilmore Girls”, Mitchum é o pai de Logan, namorado da protagonista, e encarna aquela voz desconfortável e crítica que todos tememos encontrar em nossas carreiras.

A saída de “Gilmore Girls” da Netflix é muito mais que um simples desligamento de catálogo. Para a Geração Z, que cresceu revendo a série na plataforma de streaming — nem sempre acompanhando ao vivo — essa despedida marca o encerramento de um período. É como aquele momento em que você finalmente aceita que não vai voltar para casa dos seus pais do mesmo jeito de antes.

Uma série que definiu gerações

Por quase duas décadas, a série de Amy Sherman-Palladino se tornou sinônimo de conforto e identidade para fãs que encontravam em Stars Hollow um refúgio. A dinâmica entre mãe e filha, os diálogos rápidos e inteligentes, e aquele universo pop-culture obsessivo criaram uma comunidade leal. A Netflix amplificou tudo isso, permitindo que novas ondas de espectadores descobrissem a série.

Agora, com a saída para outras plataformas (confirmadamente para a Max, serviço de streaming da Warner Bros.), a conveniência e a acessibilidade que definiam essa relação de fãs com o show estão mudando. E isso, aparentemente, dói mais do que esperávamos.