A indústria cinematográfica de Costa Rica passou por uma transformação radical nas últimas três décadas. O que era um mercado praticamente inexistente no final dos anos 1990 se tornou uma potência em ascensão, exportando produções que conquistam prêmios em festivais de peso como Cannes e Berlim. Tudo começou quando Steven Spielberg decidiu levar “Jurassic Park: O Mundo Perdido” para o país em 1997.

Talento e infraestrutura em primeiro lugar

Segundo executivos da Disney e produtores de destaque, a real competição entre locações deixou de ser sobre incentivos fiscais. O diferencial agora está em outro lugar: na disponibilidade de talento local qualificado, na eficiência das comissões de filme e na qualidade das produtoras instaladas no país. “Qualquer lugar oferece benefícios tributários. O que Costa Rica tem é gente preparada e estrutura de verdade”, resumem os profissionais.

Essa mudança de paradigma reflete uma tendência global na indústria. Com mais países competindo agressivamente por produções internacionais através de deduções e créditos fiscais, a diferença passou a ser feita por fatores humanos e logísticos — desde equipes técnicas experientes até capacidade de entrega de projetos complexos dentro do orçamento e prazo.

Um mercado que cresceu

A jornada de Costa Rica como destino cinematográfico é emblemática. Três décadas atrás, receber uma mega-produção de Spielberg era impensável. Hoje, o país não apenas atrai blockbusters hollywoodianos, como produz conteúdo próprio de nível internacional que compete nas principais vitrines do cinema mundial.

Análise editorial: A história de Costa Rica reforça uma lição importante para o mercado audiovisual latino-americano: sustentabilidade vem de investimento contínuo em talento e infraestrutura, não de subsídios pontuais. O Brasil, com seu histórico de produção robusta, poderia se beneficiar dessa reflexão enquanto navega pelos debates sobre incentivos ao cinema nacional.