Um horror ambicioso sobre maternidade

“Ferine”, primeiro longa do diretor Andrea Corsini, é um filme de horror em língua inglesa que expande seu próprio curta homônimo de 2019. A produção conta com Carolyn Bracken no papel de uma mulher na Itália cuja obsessão em ter um filho se transforma em desespero após uma tragédia pessoal — levando seu comportamento a patamares cada vez mais selvagens e agressivos.

Ambições artísticas acima da execução

Segundo o Variety, “Ferine” é descrito como “pretensioso mas intrigante”, um filme que mistura elementos de horror paranóico e violento com conceitos de transformação corporal inspirados em clássicos como “Cat People” (1982). A obra abre com uma citação de ninguém menos que Schopenhauer, deixando claro suas pretensões de elevação artística. Para o Variety, trata-se de uma “peça de gênero upscale” que tem suas ambições estéticas postas em evidência logo de saída.

O contexto do horror maternal

O filme se insere em uma mini-explosão recente de horrors focados em ansiedades em torno da gravidez e maternidade — tema pouco explorado desde “Rosemary’s Baby”. Corsini consegue mesclar esse universo paranoico com uma narrativa de transformação criatural, criando uma proposta que se diferencia do horror convencional.

Veredicto

“Ferine” é uma aposta inteligente para quem busca horror que dialogue com cinema de arte, mas suas ambições nem sempre compensam a execução. Se você aprecia filmes que não têm medo de ser pretenciosos e gosta de explorar temas tabu através do gênero, vale a pena conferir — com ressalvas.