Um retrato peculiar de solidão adolescente
‘Incinerador’ (Incinerator) é uma produção japonesa dirigida por Shuntaro Uchida que conquistou o Prêmio do Júri na competição Proxima do Festival de Karlovy Vary. O filme é um drama vindo-de-idade que acompanha Kozue, uma menina de dez anos (interpretada por Karin) que vive em um bairro tranquilo nos arredores de Tóquio. A protagonista é uma observadora silenciosa do mundo ao seu redor, com um hábito peculiar: roubar objetos aleatoriamente para jogá-los no incinerador da escola.
O que os críticos elogiaram
Segundo o Variety, o grande mérito do filme reside na criação de uma protagonista genuína e desapologética em sua excentricidade. A perspectiva de uma adolescente solitária oferece um ângulo fresco para observar dinâmicas cotidianas que parecem estranhas através dos olhos de quem se sente deslocado no mundo. Kozue é retratada como uma “verdadeira estranha”, e essa autenticidade conquistou o júri internacional do festival.
As críticas e limitações
Porém, o Variety aponta um problema fundamental: enquanto a protagonista promete ser intrigante e imaginativa, o filme que se constrói ao seu redor “trai um impulso menos criativo e mais normativo”. A crítica sugere que a obra acaba diluindo as arestas de seu elemento mais interessante, optando por uma abordagem mais convencional do que seria esperado para um personagem tão peculiar.
Veredicto
‘Incinerador’ é um filme que interessa principalmente aos apaixonados por cinema independente e narrativas sobre isolamento adolescente, mas com ressalvas. A obra tem mérito em sua concepção, mas não plenamente realizado em sua execução. Vale a pena para quem busca perspectivas diferentes sobre a juventude, mas não espere uma experiência completamente inovadora.


