Uma despedida agridoce do cinema radical
Jackass: Best and Last chega aos cinemas em 2026 como (supostamente) o último capítulo cinematográfico da franquia que marcou a transição do milênio. Dirigida pelo coletivo Jackass e liderada por Johnny Knoxville, a sexta produção para as telas mistura clipes dos maiores sucessos da série com novas cenas de acrobacias “alegremente estúpidas”, segundo a descrição do Variety. O filme reúne o elenco histórico em um projeto que celebra três décadas de risadas absurdas e ferimentos dramaticamente cômicos.
O grande charme: a aceitação relutante da meia-idade
Para o Variety, o ponto forte de Best and Last reside justamente em sua melancolia. Há algo profundamente comovente em ver homens que nunca deveriam ter chegado aos 30 anos — segundo as próprias apostas dos anos 2000 — ainda submetendo-se a touros enfurecidos e perigos genitais em nome da comédia. Cada acrobacia carrega consigo um ar de incredulidade duradoura: eles ainda conseguem fazer isso de verdade, e nós ainda queremos assistir. É uma declaração de amor nostálgica entre criadores e público.
O veredicto: uma combinação que funciona
O filme equilibra-se entre o familiar e o novo. Embora construído majoritariamente sobre o melhor arquivo da franquia, as sequências inéditas garantem frescor suficiente para não parecer um mero compilado. O tom geral é de encerramento gracioso — nem sequer tão brutal quanto os capítulos anteriores, mas authenticamente Jackass.
Vale assistir?
Se você cresceu assistindo a esses palhaços malucos, Jackass: Best and Last é imprescindível: é a chance de despedir-se com dignidade (o máximo que a franquia consegue) de uma era do cinema que não volta mais. Para novos espectadores, pode soar datado, mas a química do grupo e o humor absurdo seguem funcionando.


