Um olhar íntimo sobre a guerra na Ucrânia
Raramente Acordo Sonhando é uma coprodução germano-ucraniana que chega aos cinemas com uma proposta ousada: contar a história da invasão russa de 2022 através da lente de um casal queer de Kiev. Dirigido pela alemã Isabelle Stever em colaboração com a roteirista ucraniana Anna Melikova (sua esposa), o filme se inscreve em um território pouco explorado — o drama ficcional sobre o conflito ucraniano, enquanto a maioria das produções sobre o tema se concentra no documentário.
O diferencial da sensibilidade interseccional
Segundo o Variety, o grande mérito do filme está em sua “bold formal imagination” (imaginação formal ousada) e no comprometimento em iluminar vidas historicamente negligenciadas nas narrativas sobre a guerra. O drama se concentra nas dificuldades de um casal LGBTQ+ em tentar fugir para a segurança, complicado pela discriminação local — um lembrete incômodo de que o preconceito persiste mesmo dentro de populações coletivamente perseguidas. A sensibilidade de Stever e a escrita de Melikova transformam essa tensão em material dramaturgicamente rico.
O veredicto da crítica internacional
A abordagem interseccional do filme — que conecta a vulnerabilidade de pessoas trans e queer com a urgência da fuga da guerra — conquistou críticos internacionais pela sua raridade e relevância. A parceria criativa entre diretora e roteirista confere autenticidade emocional ao relato, evitando clichês de cinema de guerra para privilegiar o intrínseco e o pessoal.
Vale a pena assistir?
Raramente Acordo Sonhando é imprescindível para quem busca perspectivas descentradas sobre a guerra na Ucrânia e drama queer com profundidade política. Um filme corajoso que alia forma inventiva à urgência temática — justamente o tipo de cinema que amplia nosso entendimento sobre conflitos globais através de histórias singulares.


