A Suíça segue sendo uma das nações mais ricas do planeta. Mas há rachaduras bem profundas em sua fundação, defende o diretor Jan-Eric Mack em seu novo filme. Durante a pandemia, o cineasta testemunhou cenas inusitadas: pessoas formando filas para receber alimentos em um país onde a pobreza raramente é vista nas ruas.

Um retrato que incomoda

Em “Uma Família Feliz”, Mack mergulha justamente nessas contradições que a Suíça prefere não mostrar. O projeto questiona a narrativa perfeita que o país cultiva internacionalmente, expondo como desigualdades econômicas e sociais cresceram silenciosamente. “As pessoas não falam sobre isso”, afirma o diretor — e é exatamente esse silêncio que seu filme busca quebrar.

A pandemia como catalisador

Com a crise do coronavírus, essas fraturas se tornaram impossíveis de ignorar. O aumento da pobreza e da exclusão social revelou que a prosperidade suíça tem limites bem definidos e exclui parcelas significativas da população. Mack aproveita essa realidade para construir uma narrativa que desconforta e provoca reflexão.

Análise Editorial

O filme chega em momento estratégico para o cinema europeu, que tem buscado desconstruir mitos nacionais com maior frequência. Obras como essa são essenciais para questionar as narrativas românticas que envolvem países desenvolvidos, lembrando que riqueza não é sinônimo de igualdade ou bem-estar coletivo.