O Festival de Veneza enfrentou um retrocesso significativo em sua edição mais recente. A competição principal contará com apenas uma diretora — May El-Toukhy — marcando a pior representação feminina dos últimos cinco anos. O contraste é drástico: na edição anterior, seis cineastas mulheres disputavam o prêmio máximo, incluindo Kaouther Ben Hania, que venceu o Grande Prêmio do Júri com “The Voice of Hind”.

Um passo para trás

Essa queda acentuada reacende o debate sobre diversidade nos grandes festivais cinematográficos mundiais. Apesar dos avanços que a indústria tem celebrado nos últimos anos, estruturas históricas de poder continuam moldando a seleção de obras — um padrão que não é exclusivo de Veneza.

A presença solitária de May El-Toukhy na competição destaca ainda mais a necessidade de políticas estruturadas que garantam oportunidades iguais para cineastas mulheres. O festival italiano, que traditionally compete com Cannes e Berlim por prestígio internacional, agora enfrenta críticas sobre seus processos de curadoria.

Editorial

Resultados assim nos lembram que a diversidade no cinema não é uma questão “resolvida” ou que se mantenha sozinha. Requer vigilância constante e compromisso real das instituições que moldam o cenário do cinema mundial. A representação de mulheres cineastas não é apenas sobre equidade — afeta quais histórias são contadas, para quem e por quanto tempo. Veneza terá muito a responder sobre essa reversão preocupante.